COMUNICADO

COMUNICADO

 

No passado dia 07 de Julho de 2018 ocorreu no Porto a 13.ª Marcha do Orgulho LGBT+.

A Variações – Associação de Comércio e Turismo LGBTI de Portugal – associação sem fins lucrativos – acedeu ao convite público lançado a todas e a todas pela Organização do evento e comunicou-lhe, bem como às entidades públicas competentes, que participaria na Marcha com a presença de um autocarro de dois andares no qual representaria a diversidade de locais, pessoas e negócios que compõem a comunidade LGBTI de Portugal.

Apesar de a Organização da Marcha ter informado a Variações que a presença do autocarro era «totalmente inviável», as entidades públicas competentes autorizaram a Variações a acompanhar o percurso no referido autocarro, razão pela qual decidiu participar, visto ser um agente inalienável da comunidade LGBTI.

No local, um grupo de manifestantes, sentando-se na estrada, impediu a circulação do veículo, exibindo uma faixa na qual podia ler-se “Capitalismo, Andor! Não passarão!” e proferindo insultos às pessoas LGBTI e outras que se encontravam a bordo.

Nos dias seguintes, nas redes sociais, algumas vozes isoladas alegaram não só que a Variações se tinha apresentado como organizadora perante as entidades públicas, o que é falso, mas também que a Marcha do Orgulho LGBT+ no Porto tem um carácter político anti-capitalista e que nela não têm lugar negócios, nem sequer os LGTBI. Algumas dessas vozes consideram que a presença de um autocarro da Variações contribuiria para abafar a mensagem de outros colectivos.

A Variações considera tal postura absolutamente discriminatória, injusta, infundada e que a mesma não pode ter lugar num Estado de Direito democrático cuja Constituição proíbe expressamente a discriminação por quaisquer pessoas ou entidades, públicas ou privadas. Vários dos membros da Variações representam espaços seguros e de emancipação para a comunidade LGBTI desde os tempos da ditadura.

A Variações considera que, numa Marcha do Orgulho, todos devem ver reconhecido o seu direito fundamental a marcar presença e a adoptar os modos de expressão com os quais mais se identifiquem, sejam  trajes ou veículos, sempre no respeito das diferenças de cada um.

Nenhum grupo de indivíduos pode arrogar-se no direito de impedir as formas de expressão de uma associação LGBTI.

Qualquer Marcha do Orgulho deve ser aberta à participação de quaisquer pessoas ou entidades, públicas ou privadas, com ou sem carácter lucrativo e independentemente da sua forma de expressão, que emancipem a comunidade Lésbica, Gay, Bissexual, Trangénero e Intersexual, o que também é o caso da Variações.

A Variações convida a Organização da Marcha do Orgulho do Porto e o movimento LGBTI  português a repudiar publicamente a violência e a visão discriminatória e restritiva de que a Variações foi alvo na 13.ª Marcha daquela cidade.

A Variações apela ainda publicamente a todo o movimento LGBTI  português para que a acompanhe no esforço de assegurar que as Marchas do Orgulho sejam espaços efetivamente inclusivos para todos e para todas, independentemente das suas convicções políticas e das formas de expressão que livremente decidam adoptar.

A Variações agradece o apoio e a solidariedade que recebeu no local e nas redes sociais pelas pessoas e entidades que partilham a sua visão e compromete-se a continuar a trabalhar pela visibilidade nacional e internacional da comunidade LGBTI portuguesa.

 

A Direcção da Variações